Perdi a voz, ficaram os dedos. Esta é a voz que ninguém me consegue tirar. Já quando dava os primeiros passos na escrita, quando os esses saíam ao contrário e nada tinha acentos, sentia-o, O lápis e a caneta têm magia nas minhas mãos: com eles, posso fazer o que quiser. Dar voz ao que sinto, dizer o que nunca disse, fumar o que nunca fumei, beber o que nunca bebi, foder quem nunca fodi, ir onde nunca fui.
A minha voz deixa-me ir mais longe. E hoje quero ir onde possa falar sem ser interrompida. O meu coração tem que dizer, e não é pouco. Está a ficar pequeno de estar sozinho e de ter de se calar cada vez que quer falar. O sangue que chega é pouco, precisa de mais. Mais paixão, mais amor. Menos espaços em branco, menos interrupções. Espaço, sim, mas para ser ouvido e deixar ouvir.
O estar calado, o silenciar sufoca. Sufoca a alma e o coração até mais não e o definhar chega mais cedo que o suposto. Pesa demasiado, cansa demasiado, tortura demasiado. O desejo de falar é tanto que todo e cada pedacinho de mim é arrancado, dia após dia. Mas calo e consinto, não porque o gato me tenha comido a língua mas porque i know better.
O copo está cheio, mas o coração vazio. Só a escrita e os sonhos me trazem a voz de volta.
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