Hoje não venho aqui falar das coisas do costume. Não venho reclamar do desastre habitual que é a vida, fazer queixas das intermitências da morte, ou escrever sobre sexo. Não venho discutir trivialidades, nem lutar contra as lágrimas, muito menos esforçar-me nas palavras . o que tenho para dizer não é rápido, não é fácil, é muito menos é terapêutico. É apenas um pouco mais pessoal.
Rotineiramente, de quinze em quinze dias acordo às oito e meia e vou ver uma terapeuta que, regra geral, incentiva este tipo de random babblings. Não que eu goste particularmente disto, mas aqui vou eu. Esta semana o tópico principal de conversa foi, na verdade, a morte.
Isto porque tenho alguém que estimo muito no hospital que, por qualquer razão que não consigo descortinar, desligou o chip e está em bastante mau estado (pôr paninhos quentes na questão não ajuda, mas eu sei que há quem leia isto e dizer às portas da morte faz-me soar tão heartless que o foco disto tudo perde-se). E eu não posso simplesmente entar pelo hospital adentro e perguntar-lhe porquê. E a minha cabeça também não percebe porquê. Se nem os médicos entendem...
Bem, no fundo, a questão aqui é que, todo o ser que vive, mais cedo ou mais tarde morre. Isto diz-me a terapeuta, em jeito de me preparar para o pior. Diz-me que se calhar chegou a hora dela. Mas as horas não chegam assim. Ou chegam ?
Que confusão. Bem, eu disse que isto hoje ia ser simples. E também disse que não ia fazer queixas das intermitências da morte. Só queria compreender porquê. E que fosse simples, para variar. Resta-me voltar à terapia, e tentar compreender. Afinal, é só seguir a rotina...